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Movimentação urbana, uma relação entre um serial-killer psicopata tem com a sua vítima

novembro 29, 2013

Por Tarcisio Praciano-Pereira

O título do livro é  “Gloriosa Bicicleta” e os autores são Laura Alves, Pedro Carvalho.

O livro pode ser consultado no Facebook procure pelo título do livro.

É de Laura Alves o texto que segue.

Na selva urbana, o carro ainda é rei.

Como descreveria a relação entre ciclistas e automobilistas?

A mesma que um serial-killer psicopata tem com a sua vítima! Não, agora a sério. No livro brincamos muito com a situação, com as relações nem sempre pacíficas entre uns e outros, mas a verdade é que não é preciso fazer um estudo muito aprofundado para concluir dos maus hábitos de cidadania e cortesia de grande parte dos automobilistas portugueses.

E numa altura em que o número de ciclistas em trânsito está a aumentar consideravelmente, alguns comportamentos enraizados na cultura portuguesa tornam-se mais flagrantes, já para não dizer perigosos: as ultrapassagens arriscadas, os limites de velocidade que não são cumpridos, o estacionamento caótico, agora também em cima das ciclovias que vão sendo construídas…

As alterações ao Código da Estrada que vão entrar em vigor em janeiro de 2014, embora muitas das medidas não sejam entendidas pelos automobilistas, vêm acautelar e criar mecanismos para maior protecção dos ciclistas – que, digam o que disserem, são sempre a parte mais fraca num contexto de acidente entre um carro e uma bicicleta.

Estou ciente de que existem ciclistas que também devem muito à cortesia e ao cumprimento das regras de condução e de segurança, e esses irritam particularmente os automobilistas. Mas creio que o caminho para uma melhor convivência é haver cada vez mais pessoas a optar bela bicicleta para as deslocações na cidade, nas ruas e avenidas onde também circulam os automóveis.

Só assim se podem desenvolver mais relações de respeito de parte a parte.

O objetivo do livro é  falar de um movimento que se alastra devido a fatores que não é mais possível ignorar, como as alterações ambientais produzida pelo industrialismo e um seu ingrediente maior o consumismo. Não é somente o carro, é o consumismo de celulares, consumismo de comunicações, consumismo como forma de eliminar problemas psicológicos como a incapacidade de se comunicar com outras pessoas de forma natural.  O carro e a moto são ingredientes graves deste consumismo pela sua repercussão imediata com a mobilidade urbana. Hoje o carro já não mais representa mobilidade e isto torna irráscivel o guiador preso ao volante quando se depara que ela ou ele está preso enquanto que ciclistas ou motociclistas passam como pássaros livres da gaiola o que bem justifica a relação de serial-killer entre motoristas e ciclistas.  As autoras se referem à existência de ciclistas mal educados, e eu sou um deles no sentido que elas descrevem.

E pergunto, como posso ser bem educado com quem me agride com sua própria existência, a motorista?

As que dirigem carro, em sua esmagadora maioria, não precisam fazê-lo e nem mesmo lhes resolve os problemas de mobilização urbana, mas se mantém dirigindo porque se encontram presos ao consumismo automobilístico, e aqui eu sou uma delas, eu também me mantenho dirigindo carro, sou motorista amador do trânsito urbano. A diferença é que o faço por impossibilidade prática de agir diferente. Aos 70 anos se transforma em suicídio enfrentar o trânsito selvagem urbano me deslocando em bicicleta. Mesmo assim eu o venho fazendo, esporadicamente, até para provar que os meus 70 anos não me impedem de me deslocar na cidade em bicicleta, e eu o preferia fazer.

Eu preferia andar de bicicleta pelas razões que se encontram “Gloriosa Bicicleta”  uma delas sendo idílica, que andar de bicicleta se aproxima de uma meditação, faz bem ao corpo e à mente.

Precisamos urgentemente alterar as possibilidades do ciclismo dentro do ambiente urbano, e precisamos fazê-lo por razões de sobrevivência da espécie humana.

 

 

 

 

 

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